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Mostrando postagens de fevereiro, 2019

Poetas

Hoje senti uma vontade imensa de pesquisar poetas. As pessoas poetas anônimas, que escrevem sentadas nos bancos das praças, nas madrugadas, nos cantos escuros, com lágrimas e sangue. Que  desenham suas angústias e seus amores nas folhas não usadas de cadernos velhos, com canetas que falham entre uma palavra e outra. A respeito de poetas que conseguem transmitir suas dores através de bits, digitando letras que, apesar de não serem desenhadas por suas mãos, através delas ganham forma e vida. Quis saber onde estão essas pessoas, aonde andam, se conversam a respeito de suas peculiaridades, seus medos, ou se escrevem por não saberem dizê-los. Quis adentrar os mundos floridos e cheios de lamas dessas vidas que, com tanta intensidade amam, sofrem e morrem, a cada terminar de texto. Queria saber quantos foram suicidas, quantos foram mortos e, assim, deixaram de ser poetas. A vontade de saber tanto a respeito dessas vidas, no entanto, se foi. Porque enquanto pensava numa possível pesq...
Hoje fui ao terminal Praça da Bíblia. Já havia algum tempo que não passava por lá. Andar de ônibus sempre me deixa pensativa, acredito que é uma angústia, um sentimento comum. Mas estar nos terminais, andar nos “eixões”, me produz uma tristeza, uma sensação depressiva sem medida. O nível de vulnerabilidade das pessoas é altíssimo. Fico tocada só de lembrar das pessoas mais idosas, as senhoras com as suas sacolas de supermercado e seus sapatinhos andando com dificuldade e com certa rapidez para entrar no ônibus, pessoas com muletas e diversos outros aspectos que se tornam obstáculos. Mas, o que mais me machuca, é saber que as pessoas, às vezes, não estão tão conscientes assim desta vulnerabilidade. As pessoas se adaptam, até porque não há outra saída que não esta, a de se acostumar. Como escreveu Marina Colassanti, “eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia”. Enfim, esses momentos super necessários de conversas, de observações, de vivência, que nos servem para pesquisas e arti...

A chuva que não veio

As folhas secavam, caíam, surgiam outras. Novas, vigorosas, tranquilas.  Às vezes, com um pouco de sorte, flores nasciam. Também secavam, também caíam.  A firmeza estava na raiz, no tronco robusto, nos galhos incansáveis. Mas agora, já nem me lembro mais quanto tempo faz que não renasço.  D epois das folhas, secaram os galhos e, a raiz, que agarrava o chão, cansada, decidiu soltar.  Não tenho mais sombra nem vento para doar.  N ão tenho flor e tampouco semente.  De muda, só tenho a voz.  Aqui, neste sol que me queima, só sinto a fraqueza dos galhos definhando.  Meus galhos.  Saberia que chegaria este momento, no entanto, confiante, só pensava que eu sempre poderia nascer de novo...  mas eu não consigo  e não posso.