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Hoje fui ao terminal Praça da Bíblia. Já havia algum tempo que não passava por lá. Andar de ônibus sempre me deixa pensativa, acredito que é uma angústia, um sentimento comum. Mas estar nos terminais, andar nos “eixões”, me produz uma tristeza, uma sensação depressiva sem medida. O nível de vulnerabilidade das pessoas é altíssimo. Fico tocada só de lembrar das pessoas mais idosas, as senhoras com as suas sacolas de supermercado e seus sapatinhos andando com dificuldade e com certa rapidez para entrar no ônibus, pessoas com muletas e diversos outros aspectos que se tornam obstáculos. Mas, o que mais me machuca, é saber que as pessoas, às vezes, não estão tão conscientes assim desta vulnerabilidade. As pessoas se adaptam, até porque não há outra saída que não esta, a de se acostumar. Como escreveu Marina Colassanti, “eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia”. Enfim, esses momentos super necessários de conversas, de observações, de vivência, que nos servem para pesquisas e artigos, vêm com golpes dolorosos na alma. Com as pessoas e suas relações, aprendemos a fazer pesquisa. Mas, para além disso, aprendemos a ser pessoas mais humanas... pelo menos, deveríamos.


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