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Pausa



O café fresco desce gentil, ao contrário das notícias de mortes, de cortes e do grito neoliberal que ainda ecoa e me sangra os ouvidos. Repito meu mantra diário: tudo passa. Vivenciamos o ápice do fracasso de um sistema com engrenagens enferrujadas, enxergamos com nitidez os abismos de desigualdade e a falta de humanidade. O espírito empreendedor tentou reificar trabalhadores/as e construir uma nova consciência, aliás, impedir o surgimento de uma classe unida, ciente de sua força. No auge da informalidade, do aumento de MEIs, de desregulamentações trabalhistas, de corte de bolsas, de ataque à pesquisa e ao ensino, do aumento da miséria, da poluição, da intensificação e precarização do trabalho, eis que surge a pausa. Não é apenas uma meio de sobrevivência: é para refletirmos, nos enxergamos como gente (que "nasceu pra brilhar e não pra morrer de fome"), resgatarmos afetos, repensarmos o sentido da existência e da necessidade de uma economia que sirva às pessoas em todas as suas necessidades. A Economia Feminista é um exemplo incrível de como essa ciência deve ser utilizada para a sustentabilidade da vida: afeto, meio ambiente, sustentabilidade...
Existem alternativas. Há como não repetir o mesmo erro. O professor Roberval, que me deu aula de Economia Brasileira, disse em sala uma vez (e eu digo isso para tod@s meus alun@s), que um/a economista pode matar uma população inteira. Mais do que nunca sabemos que isso é possível. Todavia, mais que isso até, estamos cientes da nossa força conjunta de transformação coletiva. Não podemos deixar que tudo isso passe sem mudanças profundas na esfera política, econômica e social. Voltarei para o meu café, já frio, enquanto ouço os pássaros cantando o som da esperança. Espero que você também escute esse som por aí, se não for pelos pássaros, que seja no tilintar das xícaras, na voz de um amig@, no seu interior. Só espero que você escute.

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