O frio enrijece meus dedos. Ainda assim, o lápis desliza, como se dançasse ao som da chuva que, serena e impassível, me embala nesta manhã. Ao contrário de mim, ele não se incomoda com os olhares de tantos livros, que aqui parecem me enxergar por dentro. Esperam algo deste grafite que se gasta, que segue deslizando, olhando fixamente para o papel, sentindo seu toque, que traz sentido, que o dá sentido.
Ao lado, outras vidas nascem e renascem, sabendo que o fim está próximo e cronometrado. Por isso, o lápis corre, ainda que perseguido pelos livros que, agora, o olham com desprezo. Ah!, a esperança. A necessidade de se transpor, o desejo de não morrer rasgado, mas gasto. Disso, o lápis se orgulha. Consegue ser vários, enquanto este papel, apenas poucos.
Mas meus dedos o atrapalham. Estão mais rígidos, tão gélidos que quase roxos. O frio parecia ser sutil, mas devagar me devora por dentro. O lápis luta para continuar e minha alma também: não fosse a necessidade do fim eu não pararia; não fosse a necessidade da morte, eu não renasceria - em todas as manhãs, mesmo nas chuvosas e frias.
Oficina de Escrita Criativa, Palavrear, 01/03/2020.
Ao lado, outras vidas nascem e renascem, sabendo que o fim está próximo e cronometrado. Por isso, o lápis corre, ainda que perseguido pelos livros que, agora, o olham com desprezo. Ah!, a esperança. A necessidade de se transpor, o desejo de não morrer rasgado, mas gasto. Disso, o lápis se orgulha. Consegue ser vários, enquanto este papel, apenas poucos.
Mas meus dedos o atrapalham. Estão mais rígidos, tão gélidos que quase roxos. O frio parecia ser sutil, mas devagar me devora por dentro. O lápis luta para continuar e minha alma também: não fosse a necessidade do fim eu não pararia; não fosse a necessidade da morte, eu não renasceria - em todas as manhãs, mesmo nas chuvosas e frias.
Oficina de Escrita Criativa, Palavrear, 01/03/2020.

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