O café fresco desce gentil, ao contrário das notícias de mortes, de cortes e do grito neoliberal que ainda ecoa e me sangra os ouvidos. Repito meu mantra diário: tudo passa. Vivenciamos o ápice do fracasso de um sistema com engrenagens enferrujadas, enxergamos com nitidez os abismos de desigualdade e a falta de humanidade. O espírito empreendedor tentou reificar trabalhadores/as e construir uma nova consciência, aliás, impedir o surgimento de uma classe unida, ciente de sua força. No auge da informalidade, do aumento de MEIs, de desregulamentações trabalhistas, de corte de bolsas, de ataque à pesquisa e ao ensino, do aumento da miséria, da poluição, da intensificação e precarização do trabalho, eis que surge a pausa. Não é apenas uma meio de sobrevivência: é para refletirmos, nos enxergamos como gente (que "nasceu pra brilhar e não pra morrer de fome"), resgatarmos afetos, repensarmos o sentido da existência e da necessidade de uma economia que sirva às pessoas em todas a...