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A chuva que não veio


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As folhas secavam, caíam, surgiam outras. Novas, vigorosas, tranquilas. 
Às vezes, com um pouco de sorte, flores nasciam. Também secavam, também caíam. 
A firmeza estava na raiz, no tronco robusto, nos galhos incansáveis. Mas agora, já nem me lembro mais quanto tempo faz que não renasço. 
Depois das folhas, secaram os galhos e, a raiz, que agarrava o chão, cansada, decidiu soltar. Não tenho mais sombra nem vento para doar. 
Não tenho flor e tampouco semente. 
De muda, só tenho a voz. 
Aqui, neste sol que me queima, só sinto a fraqueza dos galhos definhando. 
Meus galhos. 
Saberia que chegaria este momento, no entanto, confiante, só pensava que eu sempre poderia nascer de novo... 
mas eu não consigo 
e não posso.

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