Hoje senti uma vontade imensa de pesquisar poetas. As pessoas poetas anônimas, que escrevem sentadas nos bancos das praças, nas madrugadas, nos cantos escuros, com lágrimas e sangue. Que desenham suas angústias e seus amores nas folhas não usadas de cadernos velhos, com canetas que falham entre uma palavra e outra. A respeito de poetas que conseguem transmitir suas dores através de bits, digitando letras que, apesar de não serem desenhadas por suas mãos, através delas ganham forma e vida. Quis saber onde estão essas pessoas, aonde andam, se conversam a respeito de suas peculiaridades, seus medos, ou se escrevem por não saberem dizê-los. Quis adentrar os mundos floridos e cheios de lamas dessas vidas que, com tanta intensidade amam, sofrem e morrem, a cada terminar de texto. Queria saber quantos foram suicidas, quantos foram mortos e, assim, deixaram de ser poetas. A vontade de saber tanto a respeito dessas vidas, no entanto, se foi. Porque enquanto pensava numa possível pesquisa, percebi que a poesia está em tudo, no canto, nas mãos e no pranto. Há pessoas que não escrevem, mas há pessoas que falam. Há pessoas que fazem poesias com as mãos. Tem gente deixando poesia em tudo quanto é lugar. Tenho certeza que já vi criança recitando poemas com os olhos sem nem mesmo saber falar. Tentam matar poetas todos os dias, com noticiários de jornais, com o trabalho, retirando o sentido da existência. Acontece que a própria falta de sentido já é poesia.
É... poetas nunca morrem.

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