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Indo


Tento dar o próximo passo, mas não encontro o caminho. Na frente, o que ficou para trás: o futuro é um retrovisor quebrado. Nas rachaduras, procuro as respostas, mas quando percebo estou buscando meus próprios olhos, só o vazio me espera. Não há ponte, escada, sorte ou deus . Os gritos ecoam e descem novamente à garganta. O ar some para voltar e se gastar de novo. O buraco esteve sempre ali. Eles não avisam. Um dia, talvez na queda, você descobre, mas é tarde. É preciso conviver com o inevitável. O vento que abraça é o mesmo que suga e o que surge, a cada segundo, é passado contínuo. Machuca não estar nele, mas ainda é mais doloroso não poder seguir para o novo, se é que ele existe. Estou caindo para dentro do meu próprio corpo, ou mente, ou alma, ou consciência, não sei. Para este pedaço inteiro que sou eu. Estou indo, mas não chego. Se tivessem me perguntado, talvez eu não teria escolhido pular. Mas fui empurrada pela estrada que decidiu não me acompanhar. Se eu soubesse, também teria me deixado... mas estou comigo e não chego.

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